Por Adilson Santos
Por trás do cidadão comum que caminha pelas ruas do seu bairro, existe um profissional cuja mente nunca se desliga do compromisso com a verdade e com a coletividade. O repórter é, antes de tudo, um cidadão formado com valores de respeito ao próximo e foco no bem-estar comunitário. A diferença é que ele carrega consigo, 24 horas por dia, o olhar atento do jornalismo.
Essa prontidão constante não é exclusividade da imprensa; ela faz parte da essência de profissões dedicadas ao servir. Se um médico em um voo comercial socorre um passageiro passando mal, ele o faz pelo dever hipocrático e pela vocação de salvar vidas. Do mesmo modo, se um policial presenciante de um crime intervém, ele age movido pelo tirocínio e pela responsabilidade do seu oficio. Recentemente, um episódio emblemático ilustrou esse tirocínio de forma drástica: um influencer entrou em uma loja de veículos e anunciou um assalto de brincadeira, sem saber que um dos clientes era um policial civil de folga. Diante da ameaça percebida e agindo em legítima defesa, o policial reagiu imediatamente. O fato expõe uma realidade indiscutível: certas funções não se desarmam quando o expediente encerra, e a sociedade não é palco para imprudências.
No caso do jornalista, o dever social se traduz na fiscalização e na busca por soluções para a comunidade. Quando ando pelas ruas e me deparo com um cano vazando, esgoto a céu aberto, lâmpada queimada na iluminação pública, calçada tomada pelo mato ou até mesmo um alimento exposto de forma inadequada na vitrine de um supermercado, não posso me abster. O repórter comunitário tem a obrigação ética de transformar aquilo que observa em informação e cobrança pública.
Eu tenho plena consciência do papel que exerço. O jornalismo comunitário não se resume a relatar problemas; ele existe para gerar resultados concretos para a população. Vemos na prática o impacto dessa atuação: ao cobrarmos as autoridades e os órgãos responsáveis, a iluminação pública é restabelecida, filas para exames e consultas com especialistas andam e vidas são salvas.
Um exemplo marcante disso ocorreu com uma senhora que foi transferida do Pronto Atendimento Guido Guida, em Poá, via "vaga zero", e acabou deixada em um corredor insalubre, próximo ao depósito de materiais de limpeza do Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba. Foi somente após a nossa cobrança e denúncia que ela recebeu o atendimento célere e humano que todo cidadão merece.
Exercer a cidadania com o olhar do jornalismo não é apenas uma profissão — é uma missão diária em defesa do povo.
Adilson Santos é jornalista multimídia, radialista, repórter fotográfico e gestor da Rádio PCA e do Portal POÁ COM ACENTO. Com trajetória iniciada no fotojornalismo factual — marcada pela cobertura histórica do Voo 402 da TAM —, dedica sua carreira ao jornalismo comunitário, à liberdade de expressão e à análise de políticas públicas e mobilidade urbana no Alto Tietê.

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