sexta-feira, 31 de julho de 2026

O olhar jornalístico no cotidiano do cidadão

Por Adilson Santos

Por trás do cidadão comum que caminha pelas ruas do seu bairro, existe um profissional cuja mente nunca se desliga do compromisso com a verdade e com a coletividade. O repórter é, antes de tudo, um cidadão formado com valores de respeito ao próximo e foco no bem-estar comunitário. A diferença é que ele carrega consigo, 24 horas por dia, o olhar atento do jornalismo.

Essa prontidão constante não é exclusividade da imprensa; ela faz parte da essência de profissões dedicadas ao servir. Se um médico em um voo comercial socorre um passageiro passando mal, ele o faz pelo dever hipocrático e pela vocação de salvar vidas. Do mesmo modo, se um policial presenciante de um crime intervém, ele age movido pelo tirocínio e pela responsabilidade do seu oficio. Recentemente, um episódio emblemático ilustrou esse tirocínio de forma drástica: um influencer entrou em uma loja de veículos e anunciou um assalto de brincadeira, sem saber que um dos clientes era um policial civil de folga. Diante da ameaça percebida e agindo em legítima defesa, o policial reagiu imediatamente. O fato expõe uma realidade indiscutível: certas funções não se desarmam quando o expediente encerra, e a sociedade não é palco para imprudências.

No caso do jornalista, o dever social se traduz na fiscalização e na busca por soluções para a comunidade. Quando ando pelas ruas e me deparo com um cano vazando, esgoto a céu aberto, lâmpada queimada na iluminação pública, calçada tomada pelo mato ou até mesmo um alimento exposto de forma inadequada na vitrine de um supermercado, não posso me abster. O repórter comunitário tem a obrigação ética de transformar aquilo que observa em informação e cobrança pública.

Eu tenho plena consciência do papel que exerço. O jornalismo comunitário não se resume a relatar problemas; ele existe para gerar resultados concretos para a população. Vemos na prática o impacto dessa atuação: ao cobrarmos as autoridades e os órgãos responsáveis, a iluminação pública é restabelecida, filas para exames e consultas com especialistas andam e vidas são salvas.

Um exemplo marcante disso ocorreu com uma senhora que foi transferida do Pronto Atendimento Guido Guida, em Poá, via "vaga zero", e acabou deixada em um corredor insalubre, próximo ao depósito de materiais de limpeza do Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba. Foi somente após a nossa cobrança e denúncia que ela recebeu o atendimento célere e humano que todo cidadão merece.

Exercer a cidadania com o olhar do jornalismo não é apenas uma profissão — é uma missão diária em defesa do povo.


Adilson Santos
é jornalista multimídia, radialista, repórter fotográfico e gestor da Rádio PCA e do Portal POÁ COM ACENTO. Com trajetória iniciada no fotojornalismo factual — marcada pela cobertura histórica do Voo 402 da TAM —, dedica sua carreira ao jornalismo comunitário, à liberdade de expressão e à análise de políticas públicas e mobilidade urbana no Alto Tietê.

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