Por Adilson Santos
A recente coletiva de imprensa realizada pela Prefeitura de Suzano, para o lançamento dos festejos de 77 anos da cidade que se iniciam em abril, trouxe à tona uma reflexão que vai além do cronograma de shows ou entregas de obras. Trata-se de algo fundamental, mas que por vezes parece esquecido: o respeito e a dignidade no exercício da nossa profissão.
Vivemos em eterna evolução. Como bem dizia o saudoso vereador de Poá, Agenor Pereira — figura brilhante em congressos de municípios pelo Brasil —, "só não muda de ideia quem não tem". E é sob essa ótica de aprimoramento constante que precisamos observar o tratamento dado aos profissionais de imprensa.
É preciso registrar o profissionalismo do jovem secretário de comunicação, Paulo Pavione, que carrega consigo uma bagagem sólida e um atendimento pautado pelo respeito. Da mesma forma, Fred Serench, da Pilar Eventos, mesmo com vasta experiência nacional, demonstrou humildade e sensibilidade ao acolher o pedido para tratar os profissionais de imprensa com a dignidade que a função exige.
O jornalismo existe para informar. Quando um repórter se desloca para um evento ou coletiva, ele busca a notícia, a informação exclusiva e o registro técnico. Diferente de alguns — felizmente poucos — que confundem o espaço profissional com momentos de "tietagem", o verdadeiro jornalista é o elo entre a municipalidade e o cidadão. E quem informa, merece condições para tal.
Durante a coletiva, este repórter pontuou a necessidade de acesso livre e infraestrutura, um raciocínio que foi prontamente reconhecido pela organização e endossado pelo colega Gabriel Souza, do Mídia em Pauta. O que defendemos não é um privilégio, mas o "camarote do respeito". Liberdade de expressão e de exercício profissional são princípios constitucionais. Somos a voz da sociedade perante vereadores, prefeitos, deputados e até a presidência da República.
No entanto, há uma autocrítica necessária à categoria: falta união. Enquanto houver lamúrias isoladas em vez de um fortalecimento conjunto, continuaremos vendo retrocessos. Um exemplo claro é a nova Câmara de Ferraz de Vasconcelos, onde o espaço reservado à imprensa foi nivelado ao assento comum, sem mesas para notebooks, tomadas para carregamento de equipamentos ou uma internet de qualidade. Como exercer um jornalismo dinâmico e digital sem o mínimo de suporte técnico?
Não pedimos luxo. Pedimos dignidade, espaço e condições de trabalho. O acesso livre para registros, inclusive em colunas sociais, deve ser garantido respeitando-se o público, mas sem amordaçar o profissional.
Se não houver união para exigir que as instituições — sejam elas câmaras ou prefeituras — ofereçam essa estrutura básica, a separação e o atraso profissional continuarão sendo o nosso maior obstáculo. O respeito à imprensa é, em última análise, um respeito ao direito do cidadão de ser bem informado.
Adilson Santos - Repórter e Editor-Chefe do Portal POÁ COM ACENTO, diretor da Agência Ângulo Produções, diretor da Rádio PCA, diretor executivo da ABME-SP, e gestor de negócios e marketing do Jornal Argumento
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